Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Na Constituição da República Portuguesa, a cidadania surge como um direito. Raramente encaramos a cidadania como um dever. Talvez por isso, não a vivamos de forma plena. A nossa cidadania. Não nos metemos em política, nem na vida dos outros. A maior parte das vezes, só queremos que não nos macem. Pagamos os nossos impostos, cumprimos um conjunto seguro de regras, das sociais e às da legalidade, e, alguns, exercemos o direito de voto, mesmo que já não sejamos capazes de reconhecer alguém a quem confiar a nossa esperança. Resignados, vamos dando de ombros, como se não tivéssemos qualquer outra palavra a dizer. Talvez, um resmungo, numa conversa de café. Inconsequente. Um desabafo que não se leva demasiado a sério, ou, pelo menos, não durante o tempo suficiente para fazer a diferença.
É verdade, não teremos todos a mesma apetência, paciência, o engenho ou a arte, para participar na construção de um país melhor, para contribuir mais e exigir mais de quem tem o poder de decidir por nós. Mas, é possível que a maior ameaça à nossa democracia seja essa manifesta indiferença, o crescente divórcio entre o cidadão e o seu Estado, com responsabilidades de ambas as partes. O menosprezo com que encaramos o exercício da cidadania representa um perigo à espreita, oportunista, de que nem sempre estaremos conscientes. Seja por ignorância ou por comodismo. Será que não podemos, não deveremos, como cidadãos, fazer mais? Conhecer, de forma profunda, a dimensão e o alcance dos nossos direitos, é capaz de ser um bom ponto de partida. Na verdade, o que sabemos, exactamente, sobre a forma como podemos exercer, plenamente, o direito à nossa cidadania?
Não falamos da actualidade, do acontecimento. Nem opinamos sobre uma notícia.
Falamos de política num estado mais puro. Sem os seus actores principais, os políticos - o que torna o ar mais respirável. E os postais sempre actuais; por isso, com as discussões em aberto.
A discussão continua também nos postais anteriores, onde comentamos sem constrangimentos de tempo ou de ideias.
A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.