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Eis que me sento a uma das mesa do barzinho de serviço a debicar o que posso, pois que passarinho sou obrigada a ser, de asinhas apressadas e patinhas inquietas.
Em frente, as duas senhoras miram as marmitas respectivas.
- Misturas tudo?
- Tudinho. Atiro tudo p’rá panela e depois dou-lhe c’a varinha. Num se nota nada, tudo esmagadinho.
- Tudo memo?!
- Tudo.
- Ai, eu feijões não posso que são-me digestos.
- Eu ponho do fradinho.
- E rélazio?
- Não! C’oa varinha faço festas?! Senhora de Fátima, qu’és fraca de bola.
- Ai, qu’ingraçadinha que me saíste agora. Podias deixar assim a notar-se.
- Não, qu’ inteiros dão-me gases.
- olha, filha, poupazios, que tu vais precisar deles, qu’isto 'inda é Janeiro e o fado corre todo o ano.
- Vou? Porquê? Nos outros meses ando a chá das finas.
- O das finas é na mesa ao lado, q’aqui sabe a mijo de rato.
- Mijo de rato?! Num olhes p'ra mim que só entrei às duas.
Eis que hoje, sentada no barzinho de serviço, ouço passar por mim o velho Estado.
Não falamos da actualidade, do acontecimento. Nem opinamos sobre uma notícia.
Falamos de política num estado mais puro. Sem os seus actores principais, os políticos - o que torna o ar mais respirável. E os postais sempre actuais; por isso, com as discussões em aberto.
A discussão continua também nos postais anteriores, onde comentamos sem constrangimentos de tempo ou de ideias.
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